Juiz absolve corintianos acusados de agredir palmeirenses após Dérbi em 2016
Juiz absolve corintianos acusados de agredir palmeirenses após Dérbi em 2016

Sentença aponta contradição no depoimento de vítimas, que disseram não reconhecer réus

A Justiça de São Paulo absolveu 26 torcedores do Corinthians acusados de espancarem fãs do Palmeiras após o Dérbi disputado em 3 de abril de 2016. O confronto foi um dos que levaram a Secretaria de Segurança Pública paulista a determinar a realização de clássicos com torcida única no estado.

Os corintianos eram apontados pela polícia e pelo Ministério Público como autores das agressões a Marcos Antonio Estevam e Elvis Raul Estevam em uma avenida próxima ao estádio do Pacaembu, pouco depois da partida. Foram detidas 32 pessoas, liberadas após assinatura de termo circunstanciado.

Para o juiz Ulisses Augusto Pascolati Junior, as provas não foram suficientes para demonstrar a autoria dos crimes – os torcedores eram acusados de lesão corporal, tumulto e formação de quadrilha. O MP pode recorrer, mas ainda não o fez.

Teve importância na decisão, de dezembro, o depoimento das vítimas, que mudaram, em audiência em maio de 2016, a versão dada à polícia no dia dos fatos. Em juízo, eles não reconheceram nenhum dos réus como sendo seus agressores.

À polícia, Marcos Antonio afirmou que havia parado seu carro atrás de um caminhão, de onde saíram os torcedores corintianos que o agrediram e vandalizaram o veículo em que ele estava. Ao juiz, porém, relatou que ele próprio provocou os corintianos, e que não tinha certeza de que foi atacado pelos torcedores que estavam no caminhão.

Elvis apresentou versões semelhantes às de Marcos Antonio, o pai dele. Na audiência, disse não ter lido o depoimento que assinou na delegacia.

O caminhão era usado por uma das organizadas alvinegras para levar materiais como bandeiras e instrumentos ao estádio. Nele não foram encontrados objetos que poderiam ter sido usados como armas. Os acusados negaram participação nas agressões.

No dia do ocorrido, ainda na delegacia, foi feito um acordo entre dirigentes de uma torcida do Corinthians e outra do Palmeiras para que a primeira custeasse o conserto do carro das vítimas.

Na sentença, o juiz afirma que “não há dúvida de que algum dos réus agrediu a vítima”, mas que não seria possível individualizar a conduta e que assim havia o risco de condenar, em grupo, alguém que não tinha participado do ato.

Ele também aponta que a vítima, “em depoimento confuso e contraditório”, não fez a “mínima questão de identificar quem quer que seja, não colaborando com a Justiça”, demonstrando satisfação com o ressarcimento dos danos causados ao veículo.

À reportagem, Elvis afirmou que o que tinha a dizer é o que consta em seu depoimento ao juiz e que não faria outros comentários.

Parte dos acusados chegou a ser presa preventivamente em 2016 durante a Operação Cartão Vermelho, que mirou as torcidas organizadas paulistas. Eles foram libertados no decorrer do processo.

Além deste confronto, outros ocorreram naquele domingo do dérbi. Antes do jogo, uma briga em São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo, causou a morte de José Sinval Batista de Carvalho, 53, atingido por uma bala perdida – ele não tinha relação com torcidas e passava pelo local no momento em que palmeirenses e corintianos se encontraram. Houve também confusão na estação de metrô Brás entre dezenas de torcedores das duas equipes.

Naquela semana, após recomendação do Ministério Público e da Polícia Militar, a Secretaria de Segurança Pública decidiu pelos clássicos de torcida única, medida que se mantém até hoje.

Fonte: Globoesporte.com